Ela sorri com os olhinhos
E me lembra que três minutos podem valer mais que um mês inteiro.
Olá, leitor…
Hoje encontrei um tipo de balanço, na praça, que permite que o adulto possa sentar junto com a criança. Era um balanço duplo: um lado para o adulto, o outro para a criança, com um encosto que a deixava segura.
Meio difícil de explicar, foi falha minha não ter tirado uma foto. Mas amanhã vou voltar lá.
Anyway… Eu achei uma foto na internet de um balanço, que é super parecido:
Mas a foto não importa, meu amigo leitor. O que importa, é a lembrança dos olhinhos dela brilhando. A Bella tem uma capacidade impressionante e linda de rir com os olhos. Mas veja que curioso...
Eu me lembro, ou pelo menos lembrei hoje, das vezes que eu queria tanto a presença dos meus pais fazendo algo comigo — qualquer coisa.
Eu lembro de pedir para eles jogarem videogame comigo, mesmo eles não tendo a mínima noção de como jogar (meu pai até que foi bem algumas vezes), mas não era sobre isso.
Eu lembro de querer a atenção deles, e recebê-la. E lembro como isso fazia bem. Mas podia ser com qualquer coisa. Podia ser com a bola na rua. Podia ser jogando futebol de botão. Podia ser jogando futebol com os bonecos. Podia ser jogando bola de meia no corredor com as portas do quarto fechada e a despensa servindo de goleira.
Foi tão legal lembrar disso hoje. Mas acho que o motivo da lembrança, conseguiu, de fato, ser ainda mais valioso.
Foi assim: a Bella viu o balanço quando a gente estava passeando na floresta hoje. E ela pediu para ir lá. Mas ela me pediu com os olhinhos. E ela sorriu tanto quando sentamos naquele balanço.
Ela me olhou. Sem dizer nada, me fez parar. O tempo, se falasse, também queria sentar no balanço com a gente. Ela me olhou, e ali vi que eu sou muito tolo de querer correr com o tempo às vezes.
A criança não quer o resultado de um mês produtivo, ela quer os três minutos de atenção, onde não importam as notícias, o último podcast, o valor dad ações na carteira, nada... Só aqueles três minutinhos.
Ser pai me ensina tanto sobre mim. E vem me ensinando tanto sobre meus pais também. Porque é claro que eu até me lembro das vezes que eles estavam cansados e não fizeram algo que eu queria. Lembro do meu pai cansado, depois de um dia de trabalho, dizendo que não poderia jogar bola comigo, e eu pensava, como pode alguém não querer jogar bola, não é possível. Mas eu lembro muito mais das tantas e tantas vezes que eles dedicaram sua atenção e amor para brincarmos juntos. Eles foram incríveis.
Por vezes, a Bella não quer o balanço. Ela só quer que eu sente no chão com ela. Ela só quer que eu ache o “au-au” no livrinho. Ou só quer que eu ache o “Tobias” entre os brinquedos dela espalhados pela casa.
Sabe, tem dias que nos sentimos muito bem com nossa paternidade. Tem dias que sentimos que não chegamos nem perto. Mas os dias não param. Independente de como foi hoje, amanhã tem de novo.
Obrigado por ler.




